quinta-feira, 4 de setembro de 2014

TEMA. SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO. RECORTE TEMÁTICO: EM BUSCA DE SOLUÇÕES

CALMA

AINDA NÃO ESTÁ PRONTA A COLETÂNEA, TENHO DE FAZER CORTES, EDITAR MESMO...

NÃO FAÇAM NADA.


“Já me tiraram a comida e o sol,

já levei chute e bofetada.

Abriram as pernas da minha mulher,

arrancaram a roupa de minha mãe.

Não tem mais o que tirar de mim, só ódio.”

(J. M. E. 31 anos, preso no Rio de Janeiro)





RESUMO: o artigo discorre sobre a realidade do sistema carcerário brasileiro, os principais problemas e desafios existentes, bem como apresenta algumas possíveis soluções.

PALAVRAS-CHAVE: sistema carcerário brasileiro – prisão – ressocialização – medidas alternativas – política criminal.



ABSTRACT: the article discusses the reality of the Brazilian prison system, the main existing problems and challenges, and presents some possible solutions.

KEYWORDS: Brazilian prison system – prison – resocialization – alternative measures – criminal politics -





Originalmente as prisões foram criadas como alternativas mais humanas aos castigos corporais e à pena de morte. Já, num segundo momento, estas deveriam atender as necessidades sociais de punição e proteção enquanto promovessem a reeducação dos infratores. Mas sabemos que tem sido utilizadas para servir a propósitos muito diferentes daqueles originalmente visados.[1]

Segundo dados oficiais (CNJ/DPN), o Brasil tinha 422.373 presos, numero que subiu 6,8% (451.219) em 2008 e 4,9% (473.626) em 2009. Atualmente, o país conta com quase 500 mil presos – seguindo esse ritmo, estima-se que em uma década dobre a população carcerária brasileira.[2] O Brasil é a terceira maior população carcerária do mundo, só fica atrás dos Estados Unidos (2,3 milhões de presos) e da China (1,7 milhões de presos).[3]

Dos quase 500 mil presos, 56% já foram condenados e estão cumprindo pena e 44% são presos provisórios que aguardam o julgamento de seus processos; A capacidade prisional é de cerca de 320 mil presos. Assim, o déficit no sistema prisional gira em torno de 180 mil vagas; Há cerca de 500 mil mandados de prisão já expedidos pela justiça que não foram cumpridos; Cerca de 10 mil pessoas são detidas mensalmente; O índice de punição de crimes é inferior a 10%. Isso mostra que se a polícia fosse mais eficiente, o poder público não teria onde colocar tantos presos e a superlotação seria maior; Quase 60 mil pessoas se encontram encarceradas em delegacias, pois as penitenciarias e cadeiões não comportam e não dispõem de infra-estrutura adequada; A construção de novas prisões custa, em média, cerca de R$ 25.000 por vaga; Em termos de manutenção das vagas existentes, cada preso custa, em média, cerca de R$ 1.500 por mês aos cofres públicos. É muito dinheiro, mas e daí?

A população carcerária brasileira compõe se de 93,4% de homens e 6,6% de mulheres. Em geral, são de jovens com idade entre 18 e 29 anos, afrodescendente, com baixa escolaridade, sem profissão definida, baixa renda, muitos filhos e mãe solteira (no caso das mulheres). Em geral, praticam mais crimes contra o patrimônio (70%) e tráfico de entorpecentes (22%); A média das penas é de 4 anos.

As prisões no Brasil, segundo o relatório da ONG Human Rights Watch (sobre violações dos direitos humanos no mundo) estão em condições desumanas, são locais de tortura (física e psicológica), violência, superlotação.[4] Vive-se uma situação de pré-civilização no sistema carcerário. Constata-se péssimas condições sanitárias (v.g. um chuveiro e um vaso sanitário para vários detentos) e de ventilação; colchões espalhados pelo chão (obrigando os detentos a se revezarem na hora de dormir); superpopulação (falta de vagas, inclusive em unidades provisórias); má alimentação; abandono material e intelectual; proliferação de doenças nas celas; maus tratos; ociosidade; assistência médica precária; pouca oferta de trabalho; analfabetismo; mulheres juntas com homens, já que a oferta de vagas para mulheres é muito baixa; homens presos em conteiners; há desproporcionalidade na aplicação de penas; mantém se prisões cautelares sem motivação adequada e por mais tempo do que o previsto; falta Defensória Pública eficaz, pois muitos presos que já poderiam estar soltos continuam presos, já que não têm dinheiro para contratar um bom advogado; contudo, quando se observa a realidade das mulheres em estabelecimentos prisionais, as dificuldades são ainda maiores, pois o Estado não respeita as especificadas femininas, como por exemplo, a falta de assistência médica durante a gestação, de acomodações destinadas à amamentação e na quase ausência berçários e creches.[5]

Segundo Cezar R. Bitencourt, eminente penalista, as deficiências apresentadas nas prisões são muitas:

a) maus tratos verbais ou de fato (castigos sádicos, crueldade injustificadas, etc.); b) superlotação carcerária (a população excessiva reduz a             privacidade do recluso, facilita os abusos sexuais e de condutas erradas); c) falta de higiene (grande quantidade de insetos e parasitas, sujeiras nas celas, corredores); d) condições deficientes de trabalho (que pode significar uma inaceitável exploração do recluso); e) deficiência dos serviços médicos ou completa inexistência; f) assistência psiquiátrica deficiente ou abusiva (dependendo do delinqüente consegue comprar esse tipo de serviço para utilizar em favor da sua pena); g) regime falimentar deficiente; g) elevado índice de consumo de drogas (muitas vezes originado pela venalidade e corrupção de alguns funcionários penitenciários ou policiais, que permitem o trafico ilegal de drogas); i) abusos sexuais (agravando o problema do homossexualismo e onanismo, traumatizando os jovens reclusos recém ingressos); j) ambiente propicio a violência (que impera a lei do mais forte ou com mais poder, constrangendo os demais reclusos).[6]

 Segundo dados do InfoPen, um único médico é responsável por 646 presos; cada advogado público é responsável por 1.118 detentos; cada dentista, por 1.368 presos; e cada enfermeiro, por 1.292 presos. Todavia, a Resolução do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária determina que para cada grupo de 500 presos exista um médico, um enfermeiro, um dentista e um advogado. O descumprimento da lei não está apenas na assistência dos presos. Segundo a legislação cada detento deveria ter cela individual e área mínima de 6 metros quadrados. Mas a realidade é outra, pois nos cárceres há um verdadeiro amontoamento de presos, depósitos humanos, onde ficam apenas contidos, segredados.

No Brasil, a (alta) taxa de reincidência criminal, se situa em torno de 70% (ante 16% na Europa). Como não há reeducação (aprimoramento humano e profissional), quando voltam ao convívio social, geralmente se enveredam novamente para o crime. Se torna um ciclo, pois quanto mais gente se prende, mas potenciais presos se está formando, mas com o diferencial de que a cadeia o “aprimorou” para o crime (escolas do crime). Assim, quando o preso sai da cadeia, vamos nos deparar com alguém mais perigoso, embrutecido e, obviamente, sem nenhuma condição de acesso ao mercado de trabalho. O estigma de cometer um delito acompanha o ex-detento por toda a vida e geralmente chega ao ouvido dos futuros patrões, inviabilizando a possibilidade de trabalho. A falta de oportunidades reserva basicamente uma única opção ao ex-presidiário: voltar a infringir a lei quando retorna ao convívio social. É como se a sociedade o empurrasse novamente para o mundo do crime. Há um preconceito de toda a sociedade. Isso tudo, sem dúvida, torna muito pouco provável a reabilitação. Triste realidade. Todavia, é preciso oferecer perspectiva de futuro ao preso, caso contrário, as penitenciárias vão seguir inchadas de reincidentes.

Apesar de ser uma exigência para a ressocialização, as atividades laborais e os cursos profissionalizantes, estão longe de ser uma realidade. Estudos mostram que aproximadamente 76% dos presos ficam ociosos. Em todo país, apenas 17%% dos presos estudam na prisão – participam de atividades educacionais de alfabetização, ensino fundamental, ensino médio e supletivo. Todavia, trabalhar ou estudar na prisão diminui as chances de reincidência em até 40%.[7] Dar um tratamento digno ao preso, propiciando-lhe trabalho e educação, além da inserção no mercado de trabalho, é uma forma de combater o crime. Por isso, as empresas e o governo precisam incentivar a criação de oportunidades de trabalho e cursos de capacitação profissional para presos e egressos do sistema carcerário, de modo a concretizar ações de cidadania, promover a ressocialização e conseqüente redução da reincidência.

Por conta deste quadro polêmico que atinge todos os Estados brasileiros, para enfrentá-lo, o Conselho Nacional de Justiça apresentou algumas soluções: promoveu mutirões[8], passou a estimular os juízes criminais a reduzirem os números das prisões provisórias, a aplicarem penas alternativas e permitirem o monitoramento eletrônico de presos. No entanto, apesar dos sucessivos esforços e avanços, os resultados dessas iniciativas ficaram abaixo das expectativas. É dizer, o sistema prisional continua em crise. Mas não é só. O mais grave é que este problema só tende a se agravar.

Sem embargo, há um consenso entre os estudiosos de que: é preciso evitar que as pessoas precisem ir à cadeia. Uma solução adotada em alguns países, como no Reino Unido (que representa um dos menores índices de presos no mundo), por exemplo, é reservar as prisões somente para os criminosos considerados perigosos que oferecem risco à sociedade, como o homicida ou quem comete crime sexual, ampliando, assim, a utilização de penas e medidas alternativas (à prisão), com acompanhamento (e fiscalização) dos condenados pelo Estado e sociedade. Com certeza, as possibilidades de recuperação de quem cometeu um delito considerado leve ou médio são comprovadamente muito maiores quando o condenado não cumpre sua pena em regime fechado. Além disso, as chances de a pessoa reincidir são menores – em torno de 12%. Outro fator positivo é que, embora a aplicação de penas e medidas alternativas, de acordo com a legislação vigente, não represente um esvaziamento imediato dos presídios, impede o agravamento da superpopulação carcerária. Sob um ponto de vista econômico, o governo gasta mais de US$ 1,5 bilhão por ano para manter a população carcerária, sendo que o custo mensal da manutenção do preso com uma pena alternativa gira em torno de R$ 70 por mês.[9]

Sabemos que no país já existe esforço para aplicar e conscientizar sobre a importância e necessidade das penas alternativas, mas, ainda assim, continuam sendo a exceção. Os crimes de menor gravidade, inclusive contra o patrimônio, são punidos com prisão, havendo grande mistura entre os detentos. Com isso, as penitenciárias se tornam as verdadeiras escolas do crime. Na verdade, quando os juízes justificam a não substituição em nome do temor, gravidade do delito, risco à sociedade, etc. estão demonstrando a falta de estrutura do Judiciário (do Estado como um todo) na fiscalização do cumprimento das penas alternativas. Sem dúvida é mais cômodo e barato pagar um carcereiro para cuidar de um cadeado do que investir nas centrais de atendimento, na capacitação de funcionários e no exercício da cidadania. Como construir e manter cadeia não dá voto e prestígio aos governantes, eles não estão nem aí com a desgraça prisional.

A aplicação da pena alternativa deve ser a regra. A prisão deve ficar no lugar que lhe cabe: o de exceção. Não adianta insistir no erro, ou seja, acreditar que sanções mais rigorosas, menos benefícios, ampliação do número de vagas prisionais, resolverá o problema. É exatamente isso que está levando o sistema prisional ao colapso, a falência total, a uma verdadeira bomba-relógio prestes a explodir. Pois há muito se chegou à conclusão de que o problema da prisão é a própria prisão.

Desde o principio do século XVIII as prisões são veemente criticadas, denunciando que a prisão foi “o grande fracasso da justiça penal”, por uma série de defeitos, entre eles, segundo Foucault: a) as prisões não diminuem a taxa de criminalidade; b) provocam a reincidência; c) não podem deixar de fabricar delinqüentes, mesmo porque lhe são inerentes o arbítrio, a corrupção, o medo, a incapacidade dos vigilantes e a exploração (dentro dela nascem e se desenvolvem as carreiras criminais); d) favorecem a organização de um meio de delinqüentes, solidários entre si, hierarquizados, prontos para todas as cumplicidades futuras; e) as condições dadas aos detentos libertados condenam-os fatalmente à reincidência; f) a prisão fabrica indiretamente delinqüentes, ao fazer cair na miséria à família do detento.[10]

No início da década de 70, se colocaram sérias críticas à perspectiva retributiva e em relação à eficácia das instituições totais, em especial ao cárcere (e seu sustento operativo: “ideologia do tratamento ressocializador”, assente na crença do potencial regenerador de todo o ser humano) e ao tratamento através da pena privativa de liberdade.[11] Adveio, então, por parte da doutrina, duas propostas político criminais: de um lado, um setor advogou na defesa do regresso às teses retributivas e na aplicação de doutrinas “just deserts” (recebimento da punição merecida), com o inevitável endurecimento das penas/punição, de outro lado, propôs-se uma mudança de orientação nas políticas penais, numa direção à alternativas ao cárcere (devendo ser a prisão somente estipulada para os criminosos de alta periculosidade e que tenham praticado reiteradas condutas – cárcere como última cartada), bem como ao desenvolvimento da perspectiva vitimológica, orientada à reparação dos danos causados às vítimas e a reconciliação do infrator com a vítima e com a sociedade,[12] onde se insere, por exemplo, a justiça restaurativa.

É dizer, esse movimento crítico objetivava a reformulação do sistema prisional, levando a busca de alternativas às prisões e a pena privativa de liberdade[13] e foi fortemente marcado pelos trabalhos da Escola de Chicago e de Teoria Crítica ou Radical que se desenvolveram na Universidade de Berkeley (onde foi criada a Union of Radical Criminologists), na Califórnia (EUA) e o movimento inglês, organizado em torno da National Deviance Conference (NDC), encabeçados por Ian Taylor, Paul Walton e Jock Young (The new criminology: for a social theory of desviance, 1973 e Critical Criminology, 1975).[14] Nos Estados Unidos alguns grupos religiosos (sobretudo os Quaker e Mennonitas) se unem à corrente da esquerda radical americana para contestar o papel e os efeitos das instituições repressivas e para encontrar uma alternativa ao uso estendido da pena.[15]

O movimento crítico americano encontra eco na Alemanha (Escola de Frankfurt) e em outros países europeus com os trabalhos de Michel Foucault (Vigiar e Punir: o nascimento da prisão, 1975), Françoise Castel, Robert Castel e Anne Lovell (A sociedade psiquiátrica avançada: o modelo americano, 1979), Nils Christie (Limites da dor, 1981) e Louk Hulsman (Penas perdidas: o sistema penal em questão, 1982).[16] Também podemos citar Escola de Bolonha, em que avultam os nomes a quem se devem vários trabalhos de criminologia radical, como de D. Melossi, M. Pavarini, F. Bricola e A. Baratta. Na Holanda, com a criação do Instituto de Justiça Criminal, em Amsterdã, dirigido por H. Bianchi, e que passa a ser o centro da política criminal holandesa. Nos países de língua portuguesa merecem destaque os estudos de Boaventura de Sousa Santos (a lei dos oprimidos: a construção e reprodução da legalidade em Pasárgada, 1977), Roberta Lyra Filho (Criminologia dialética, 1972) e Juarez Cirino dos Santos (Criminologia radical, 1981).[17] Outro importante trabalho foi publicado em 1974, por Martinson, no artigo intitulado: Qué funciona? Preguntas y respuestas acerca de la reforma de la prisión?, onde indicou que, salvo algumas exceções isoladas, os efeitos reabilitadores, que hão sido relatados a muito tempo, não tiveram o efeito desejado.[18] Podemos ressaltar que, com a criminologia moderna (crítica), três tendências distintas começaram a se delinear: o neo-realismo de esquerda, a teoria do direito penal mínimo e o abolicionismo.[19]

Sem embargo, hoje em dia, uns são adeptos do Direito Penal Máximo, vêem na pena de prisão a solução para o problema do crime. De outra banda, temos o grupo do Direito Penal Mínimo, cujos componentes entendem que a cadeia deve servir somente para aqueles que cometem crimes de extrema gravidade, sendo a liberdade a regra, admitindo-se excepcionalmente o cerceamento da liberdade individual. Podemos ainda acrescer que, dentro desse universo, existem opiniões extremadas para ambos os lados, tal qual o grupo dos abolicionistas, os quais gostariam de ver a sociedade livre do Direito Penal, ou então os adeptos do Direito Penal do Terror, simpáticos à pena de morte, regime disciplinar diferenciado e à prisão perpétua, onde “bandido bom é bandido morto” ou então “este deve apodrecer na cadeia”. Como se situar dentro desse contexto? Como as opiniões extremadas não são as soluções, é melhor continuar com o Direito Penal. Todavia, cremos que, apesar dos dois sistemas terem suas virtudes e imperfeições, o Direito Penal Mínimo é a melhor solução, pelo menos a curto e médio prazo.[20] A prisão, conseqüência por excelência dos sistemas penais, só deve se voltar para casos excepcionais, crimes mais graves e intoleráveis, não solucionáveis por via distinta[21] e o direito penal precisa se restringir e justificar ao máximo sua intervenção.[22]

Nessa linha de raciocínio, Juarez Cirino dos Santos, partidário do Direito Penal Mínimo, afirma: O SISTEMA PENAL PRECISA SER REDUZIDO,

 [...] os objetivos do sistema prisional de ressocialização e correção estão fracassando há 200 anos, e muito pouco está sendo feito para mudar a situação. Prisão nenhuma cumpre estes objetivos, no mundo todo. O problema se soma ao fato de que não há políticas efetivas de tratamento dos presos e dos egressos. Fora da prisão, o preso perde o emprego e os laços afetivos. Dentro da prisão, há a prisionalização, quando o sujeito, tratado como criminoso, aprende a agir como um. Ele desaprende as normas do convívio social para aprender as regras da sobrevivência na prisão, ou seja, a violência e a malandragem. Sendo assim, quando retorna para a sociedade e encontra as mesmas condições anteriores, vem à reincidência. A prisão garante a desigualdade social em uma sociedade desigual, até porque pune apenas os miseráveis. Por isso defendo o desenvolvimento de políticas que valorizem o emprego, a moradia, a saúde, a educação dos egressos. A criminologia mostra que não existe resposta para o crime sem políticas sociais capazes de construir uma democracia real, que oportunizem aos egressos condições de vida [...].[23]

 O eminente criminólogo propõe três eixos principais que precisam ser trabalhados para resolver o problema: descriminação, despenalização e desinstitucionalização, que incluem políticas sociais, penas alternativas efetivas, reintegração de egressos e avaliação de crimes “insignificantes”:

 … sobre a descriminação, é necessário se reduzir as condenações por crimes classificados como “insignificantes”. Temos crimes que entram no princípio da insignificância e que enchem as prisões. A despenalização refere-se “a uma atitude democrática dos juízes”. Na criminalidade patrimonial, por exemplo, cujos índices são grandes, poderia ser estabelecido que, se o dano tem até um salário-mínimo, não há significância e, portanto, não há lesão de bem jurídico, não se aplica a pena. Já a desinstitucionalização envolve o livramento condicional. Os diretores de prisão costumam relatar que um preso que não teve bom comportamento não merece o livramento condicional. A questão é muito subjetiva. Por isso se ele já cumpriu dois terços da pena, ele deve merecer o beneficio. Há ainda a remissão penal, quando a cada três dias de trabalho o preso tem um dia de redução da pena. Mas a Justiça entende que este trabalho deve ser produtivo, e não inclui o arsenal. E se a prisão não tiver o trabalho produtivo? E não poderia ser a proporção de um dia de trabalho para reduzir um dia de pena? Outra alternativa é o preso pagar a vítima ou seus descendentes valores que variam de um a 300 salários mínimos. O valor varia de acordo com o que o preso poderia pagar. A vítima não está interessada na prisão ou punição do sujeito, mas em uma forma de compensação…[24]

 Criminólogos contemporâneos a muito apontam a exclusão sócio-econômica como o leitmotiv da criminalidade (será que fica evidente que no Brasil há uma justiça para ricos e outra para pobres?). A revolta contra a exclusão é o desejo de ser incluído. Assim, a resposta eficaz para o problema da criminalidade é a democracia real, porque nenhuma política criminal substitui políticas públicas de emprego, salário digno, moradia, saúde, lazer, escolarização etc. No dizer de Radbruch “não temos que fazer um direito penal melhor, mas sim algo melhor do que o direito penal.”[25]

Todavia, diante da realidade em que se apresenta – e sabedores de que a democracia real está longe de ser alcançada -, devemos buscar alternativas que possam, ao menos, amenizar o problema da criminalidade. Mas para isso devemos parar de ser hipócritas e admitirmos o fracasso da pena de prisão e a falácia do atual sistema.

LEIAM ANTES DE SEJA TARDE DEMAIS,. É PRECISO SABER. MANIFESTAÇÕES DE JUNHO DE 2013.

AQUI ALGUNS LINKS BONS. NÃO É PRECISO ESCREVER NADA. SÓ LER. OBRIGADOS A LER. FAÇAM ISSO SENÃO NÃO LHES DAREI MAIS AULA. ESTOU EMBURRADA.

SE EU FOSSE VOCÊSS NÃO DEIXARIA DE LER BEM ....POIS É CERTO COMO O BARULHO DA SERRA ELÉTRICA QUE VÃO QUERER SABER ALGUMA COISA SOBRE AS TAIS MANIFESTAÇÕES.
 VOCÊS NÃO PODEM FICAR DE BOBEIRA. É SÉRIO...

LEIAM TUDO....ANOTEM DOMINEM O RAIO DA MATÉRIA...



VOU FAZER UMA PROPOSTA NO OUTRO LINK, MAS , PARTIREI DA IDEIA DE QUE VOCÊS JÁ ES~TAO SABENDO TUDO...A RESPEITO. TCHAU...


ESTOU CORRENDO POIS TENHO DE IR AO BANCO,


VÃO LENDO ISSO...ENTENDEU: ALLAN, BRUNA, LUCCA, ANA 1, ANA 2....PAOLA....YASMIN, MARCELA C. E TANTOS OUTROS...LEIA


LEITURA 1 - DIDÁTICA
http://pt.slideshare.net/augustodefranco/para-entender-as-manifestaes-de-junho-de-2013-no-brasil


LEITURA 2 - O SALDO DAS MANIFESTAÇÕES ...PROMESSAS E CUMPRIMENTO DELAS.

http://g1.globo.com/brasil/linha-tempo-manifestacoes-2013/platb/

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Tema CARA DE FUVEST: a paz mundial AINDA ESTOU ELABORANDO, NÃO É P FAZER NADA

TEXTO 1
 a paz mundial deteriorou-se progressivamente ao longo dos últimos sete anos, com guerras, ataques de militantes e crimes revertendo avanços de seis décadas anteriores de melhoria gradual, segundo um relatório sobre a segurança mundial divulgado nesta quarta-feira (18).
Conflitos no Iraque, Síria, Afeganistão, Sudão e República Centro-Africana ajudaram a puxar para baixo o anual Índice Global da Paz, de acordo com pesquisa do Instituto para Economia e a Paz (IEP), com sede na Austrália.
Um número cada vez maior de pessoas morreu em ataques de militantes em todo o Oriente Médio, sul da Ásia e África, enquanto as taxas de homicídio subiram em centros urbanos em crescimento no mundo emergente. Também um número maior de pessoas se tornaram refugiadas ao escapar de conflitos, conforme informações da agência Reuters.
O Brasil, que aparecia em 81º no relatório de 2013, ficou em 91º na edição apresentada nesta quarta. Com isso, fica atrás de países como Togo, Gabão, Bolívia e Paraguai. Por outro lado, situa-se à frente de nações como Estados Unidos e China.
Os índices de criminalidade e de conflito nas regiões mais desenvolvidas, especialmente na Europa, caíram de modo geral, segundo o relatório.
A deterioração da segurança no mundo foi a mais significativa em 60 anos, disse o IEP. As estimativas sobre como teria sido o indicador antes de seu lançamento, em 2007, mostravam a paz mundial melhorando mais ou menos continuamente desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
"Parece haver uma série de causas", disse Steve Killelea, fundador e presidente-executivo do IEP, à Reuters. "Você tem as repercussões da 'Primavera Árabe', a ascensão do terrorismo especialmente após a invasão do Iraque e as repercussões da crise financeira global."
O estudo analisa 22 indicadores em 162 países, incluindo os gastos militares, as taxas de homicídios e mortes por conflitos, o terrorismo e a desobediência civil.
Paz global em queda
Ao longo dos últimos sete anos, segundo o IEP, o indicador de paz para todos os países do mundo juntos passou de 1,96 para 2,06, indicando um mundo menos pacífico.
Quando esse valor foi ajustado para levar em conta as diferentes populações em cada país, a deterioração foi ainda mais acentuada, de 1,96 para 2,20.
Síria e Afeganistão são classificados como os países menos pacíficos do mundo. Sudão,República Centro-Africana, Ucrânia e Egito apresentando algumas das reduções mais acentuadas nos níveis de segurança.
A Islândia ficou com a primeira posição, como o país mais pacífico.
Enquanto os Estados Unidos e os países europeus ocidentais estão cortando em grande parte os gastos com a defesa, China, Rússia e os países ao longo de suas fronteiras, bem como as nações do Oriente Médio, estão comprando mais armas à medida que a tensão aumenta.
Há algumas boas notícias, segundo Killelea. Em geral, os índices de Direitos Humanos da Anistia Internacional e do Departamento de Estado dos EUA apresentaram melhora.
No entanto, mortes classificadas como resultado do terrorismo continuam a aumentar em todo o mundo e, particularmente, no Iraque, Afeganistão, Síria, Nigéria, Paquistão e outros.
Como a base da pesquisa inclui dados até março, o estudo não incorpora a recente onda de violência no Iraque e na Ucrânia. "Não há dúvida de que se esses dados fossem usados agora, o quadro seria ainda pior", disse Killelea.
TEXTO 2
Se queremos alcançar neste mundo a verdadeira paz e se temos de levar a cabo uma verdadeira guerra contra a guerra, teremos de começar pelas crianças; e não será necessário lutar se permitirmos que cresçam com a sua inocência natural; não teremos de transmitir resoluções insubstanciais e infrutíferas, mas iremos do amor para o amor e da paz para a paz, até que finalmente todos os cantos do mundo fiquem cobertos por essa paz e por esse amor pelo qual, consciente ou inconscientemente, o mundo inteiro clama. Mohandas Gandhi, in 'The Words of Gandhi'
Texto 3
SÓ A PAZ É REVOLUCIONÁRIA
Quando as pessoas vão entender o óbvio? Que democracia só pode existir 
na paz (nunca na guerra que é constituinte de autocracia)? E quando vão 
entender que paz não é não-violência e sim não-guerra? Você pode reagir 
violentamente diante de ameaça patente à vida (sua e de terceiros), 11
diante da privação injustificada da liberdade e diante da imposição 
voluntária de sofrimentos aos semelhantes (e aos seres sencientes) e, 
mesmo assim, não fazer guerra.
A guerra não é a violência eventual, incidental, que ocorre sempre que 
diferentes derivas biológicas ou sociais interagem desarmonicamente. Por 
exemplo, dois animais disputando um mesmo pedaço de alimento. Outro 
exemplo: duas tribos disputando o acesso à um recurso vital (como a 

água).
A guerra não é o conflito mas um modo de resolver o conflito que se 
estabelece e se reproduz culturalmente organizando cosmos sociais 
vincados pela contraposição amigo x inimigo. É um engendramento baseado na construção de inimigos como pretexto para erigir estruturas 
hierárquicas e modos de regulação autocráticos. A guerra é violência 
coagulada e só subsiste quando a violência se institucionaliza ou se 
prorroga como modo de vida social.
Nada disso tem a ver com ataque ou defesa, que já são categorias da 
guerra. Aliás, é sempre em nome da defesa que se erigem estruturas e 
dinâmicas guerreiras. Não da defesa à ameaça patente, concreta e sim à 
ameaça imaginária, abstrata, que poderia sobrevir no futuro caso... os 
inimigos resolvessem nos atacar. O lema inscrito nos muros dos quartéis 
revela tudo: "Se queres a paz, prepara-te para a guerra". Na verdade, 
quem se prepara para a guerra, quer a guerra, produz a guerra, inventa a 
guerra (que não existe como realidade transcendente ou imanente, mas 
apenas se nós a fazemos).file:///C:/Users/Rose/Downloads/umnovoconceitoderevoluo-140413082301-phpapp01.pdf

Um Enem p ser feito com modéstia....

fAÇAM ESTE ENEM.

A BRUNA FEZ MAS, COMO JÁ TEM BOA BASE DE SABERES, ACABOU FALANDO DEMAIS. A REDAÇÃO DESANDOU. SEJA SIMPLES, SEJA E N E M.

O ENEM NÃO QUER NADA ALE´M DO CUMPRIMENTO DO QUE A BANCA ESPERA. 
UM BOM TREINO É FAZER ISSO E ME MANDAR VIA EMAIL.


 http://www.infoenem.com.br/analise-de-tema-de-redacao-enem-2004/

Proposta: o politicamente correto



***********redação que deverá seguir o modelo exposto. é obrigatório. quero ver sua capacidade de obedecer um modo de escrita.

Reação de alunos faz professores pararem com piadas homofóbicas de cursinho.

 Gostaria de que vc analisasse este fato.Comece o primeiro parágrafo definindo o tal politicamente correto.Exponha o acontecimento do Intergraus no segundo parágrafo. A sua tese deverá vir também no segundo parágrafo - amarrada ao fato.

Em seguida, justifique em dois parágrafos o porquê de você aprovar- ou não - a atitude dos alunos. Conclua livremente. 

TEXT0 1

''Eu acho politicamente incorreto fazer piadinha com pobre, com negro e com judeu. Detesto o comportamento que banaliza atitudes desrespeitosas e humilhantes em relação a mulheres. Acho inaceitável que os gays sejam agredidos em função de sua orientação sexual. Aprendi ao longo da vida que nada do que é humano me é estranho.


O politicamente correto é o esforço possível de nossa época para dar dignidade aos mais fracos. Nasceu, como é óbvio, quando os mais fracos conseguiram se defender um pouco. Não só conseguiram afirmar direitos políticos, mas se mostraram capazes de competir um pouco no mercado de trabalho e levantar a cabeça e não aceitar uma tradição politica baseada na hierarquia e na obediencia.

A denuncia contra o politicamente correto nasce daí. É uma tentativa de retorno a um passado onde a desigualdade e a opressão eram vistas como dados naturais e imutáveis da vida.

Não só era preciso conformar-se com a situação. Era mesmo possível divertir-se com a infelicidade dos fracos e ofendidos. Solicitava-se, inclusive, que estes fossem cúmplices da própria humilhação. Este é o humor politicamente incorreto.
Vivemos numa sociedade hierarquizada, com várias formas invisíveis de poder, que podem prejudicar e ferir. Essa desigualdade se expressa na linguagem e é aí que a coisa pega. A desigualdade é um dado da existencia de todo mundo. Em parte está na natureza. Em parte é construida socialmente.
O debate envolve a linguagem porque ela é a forma mais eficaz para consolidar uma situação social. As palavras embrulham a realidade.
Entendo assim: numa sociedade dividida por tantas diferenças, o politicamente correto é necessário para quem não tem poder de retaliação para devolver uma ofensa nem dinheiro para contratar um bom advogado.

Oferece um ambiente social para quem impedir que qualquer pessoa tenha de voltar para casa humilhada por agressões vergonhosas e inaceitáveis.

Neste sentido, a cultura politicamente correta é civilizadíssima. Protege os indefesos, os fracos, os ofendidos. Os direitos dessas pessoas, que até estão inscritos na Constituição, muitas vezes não podem ser assegurados de outra maneira.

Conhece projeto mais avançado do que dar direitos a quem não consegue exercê-los?
Eu não.

Acho engraçado quando algumas pessoas condenam o politicamente correto com o argumento de que ameaça a liberdade de expressão.
É dificil encontrar uma resposta para a pergunta básica: expressar o que?

Pessoas de bom caráter ficarão com o rosto vermelho na hora de responder. As demais vão mudar de assunto. Sabem por que?

Porque todos nós temos um limite. Ninguém acha que é preciso expressar tudo, o tempo tempo, em qualquer lugar, para qualquer platéia.
Neste caso, estamos falando de uma atitude eticamente muito feia, que é o direito de bater nos mais fracos. Com perdão da palavra, essa postura envolve um comportamento fascista, como já foi observado várias vezes, por autores muito mais competentes. Apenas isso.

Você pode até defender que o direito de expressão dos fascistas. É um debate. Mas é bom admitir que é uma posição menos simpática e menos irreverente do que negar o direito de defesa a quem não tem como se defender.

Como se sabe, o fascismo sempre gostou de apresentar-se com outras máscaras.

Muita gente nem sabe o que está discutindo. Outras sabem e disfarçam. Norma''. http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/coluna/269898_EM+DEFESA+DO+POLITICAMENTE+CORRETO

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 TEXTO 2 - FUNÇÃO REFERENCIAL DA LINGUAGEM , O FATO

Reação de alunos faz professores pararem com piadas homofóbicas de cursinho



E
"O movimento feminista mais importante na história é o movimento dos quadris." Piadas típicas de cursinho pré-vestibular como essa correm risco de extinção.
As direções de instituições preparatórias frequentadas pela classe média alta paulistana têm orientado professores a suspender comentários jocosos para evitar processos.
Alunos e especialmente alunas têm reclamado do que consideram machismo, homofobia e racismo aos pais, que cobram explicações.
"Virei chato. Não faço mais brincadeiras. Minhas aulas estão terminando mais cedo. Passo exercícios a mais", diz um professor do Intergraus que não quis ser identificado.
Um professor do Anglo diz que é brincadeira entre os meninos chamar os professores de "bicha" e "veado". No início de 2014, ele passou de sala em sala para informar: "Se eu for conivente, como sempre fui, estarei permitindo que vocês usem a palavra gay com sentido pejorativo. E não tem. Não permito mais".
Para ele, o tema é tabu. "Entre 80 pessoas entenderem que é brincadeira e 20 acharem que você está incentivando alguma coisa, é melhor não fazer piada. O incrível é que, dez anos atrás, você podia contar piada de preto, de português. Ao mesmo tempo, era inimaginável ter dois meninos se beijando no cursinho como temos agora."
"Eu, três meninas e um menino saímos da sala quando o professor falou que, se quiser 'comer' a empregada, o cara tem que levá-la ao Habib's. Ele sempre fala que pobre adora Habib's", conta Julia Castro, 19, aluna do Anglo de Higienópolis. "Essas brincadeiras reforçam o preconceito. Nossa luta já é difícil."
Adolpho Mayer, 18, disse que se indignou. "Isso é discriminação de classe."
Davi Ribeiro/Folhapress
Estudantes na saída do cursinho Intergraus, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo
Estudantes na saída do cursinho Intergraus, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo
No aniversário de uma estudante no ano passado, meninos sortearam quem a beijaria. A aniversariante não consentiu, mas disse às amigas que foi obrigada pelo professor a ceder.
O professor, na condição de anonimato, admite que entrou na brincadeira: "Falei 'quem vai ser o felizardo?' Mas outra estudante protestou: 'Mulher não é objeto para ser sorteada'. Eu então pedi desculpas e passei a repudiar a brincadeira".
Para Clara, 18, que fez Intergraus em 2013 e hoje cursa arquitetura na USP, "o humor que oprime alguém não merece a risada de quem assiste à aula". "Não digo que não se deve fazer piadas. Mas que estas sejam inteligentes o suficiente para tirar sarro do opressor, e não do oprimido."
Jorge Ovando, gerente de marketing do Intergraus, afirma que as queixas, em geral, são fruto de má compreensão. "A instrução é não brincar." Luís Ricardo Arruda, coordenador-geral do Anglo, conta que a recomendação é tratar os alunos "com respeito". "As piadas têm que ser adaptadas a seu tempo." 


texto 3 

O politicamente correto é o novo SNI

Ando padecendo de um mal dos tempos. Outro dia fui ao supermercado comprar um refri. Perdi quase meia-hora em frente à gôndola analisando minhas opções: Pepsi Citrus, Pepsi Light, Pepsi Zero, Pepsi descafeinada, Pepsi sabor Coca-Cola, Pepsi com leve toque de bacon, Pepsi Noodles... Santa Clara e Santa Gema nos acudam!
É tanta escolha de um mesmo produto que sabe o que eu fiz? Isso mesmo, coloquei o rabinho peludo entre as pernas e fui embora sem comprar necas. Era tanta escolha que eu não consegui fazer a minha. Deu "overload" e travou o sistema.
Ainda por cima nesta profissão danada de matraquear... Neste ofício de apresentar ideias, de ter de convencer sobre qual o galo "bão" e o galo ruim... Olha, vou te contar.
Ainda mais hoje. Antigamente você dizia uma coisa, o leitor muito educadamente agradecia ou mandava você a merda, concordava ou não e depois deixava você estar para ir cuidar de seus afazeres: comprar ficha de orelhão, jogar Atari, o que fosse.
Hoje, não. Camarada vem com um argumento cretino, depois volta com outro e mais outro, todo mundo tem uma opinião definitiva para dar. E você nunca mais terá paz, a não ser que seu computador seja engolido por um cão mastim gigante, com seu tablet, seu laptop e seu smartphone. Note que meu vizinho tem um gato, o que torna a hipótese ainda mais remota.
A turma quer prevalecer de qualquer jeito. Assuntos que se prestem a opiniões polêmicas não faltam. E o pessoal não se contenta mais com questões éticas que não tenham soluções fáceis, em que a coletividade é forçada, em nome do bem comum, a escolher a menos ruim das hipóteses.
De forma alguma. Hoje, não ficam nem acanhados ao proferir mísseis como: "Olha só, eu não concordo com Platão" ou "Nesse aspecto, eu acho que Sócrates deu mancada".
Nestes tempos pródigos em democratizar o ponto de vista, a turma se põe em pé de igualdade com os pensadores e sente-se à vontade para desancar Descartes, dar beijinho no ombro de Aristóteles e mandar Thoreau procurar as negas dele no mato.
Isso não é culpa do Mark Zuckerberg. É que há muita opinião esperando para ser dada. Confirma comigo se você é contra ou a favor: 1) do "rolezinho" (se eu soubesse o que é, seria bem mais fácil opinar, né não?); 2) da lei de cotas; 3) da lei que transforma homofobia em crime; 4) da nova lei do Ecad (entidade que administra direitos autorais no país); 5) da lei da palmada -e ainda de uma série de outras questões. A favor ou contra o Dirceu trabalhar fora do presídio, ou contra ou a favor da Copa. Se bem que, essa última, que só foi lançada como questionamento de um ano para cá, eu só aceitarei como "dúvida existencial" quando me explicarem como se pratica a militância contra ou a favor de dias chuvosos.
Muito bem. Já descobrimos que todos buscamos posições categóricas para chamar de nossas.
Não se trata de tentar entender. O que quero saber, galera, é onde buscar a opinião que me posicione do lado certo. Eu só quero estar certo, não é isso?
Mas, como vou achar respostas se não tenho repertório nem capacidade de raciocínio? Ora, é para isso que surgiu o próspero mercado de palestras. Quer coisa mais prática do que sentar e ouvir?
Nesta semana fui ouvir um "especialista", coisa fina, entrada caríssima. Ele discorria sobre a precificação daquilo que não deveria ser medido em dinheiro, quando me dei conta de que tudo o que ele falava constava do seu livro, lançado no Brasil. Ou seja, ali, diante de mim, estava um produto, não um professor dando uma aula.
Deu vontade de dizer à mulher ao meu lado que tomava anotações. "Perca seu tempo, não. Está tudo no livro que você compra no saguão..." 


texto 4

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) colocou no ar duas propagandas que, com cenas de humor, indiretamente criticam queixas politicamente corretas levadas ao órgão.
As campanhas estão gerando polêmica entre consumidores e associações, e viraram alvo de processo dentro do próprio Conar.
Em uma das propagandas, um consumidor aborda um palhaço chamado Peteleco, que está brincando com um grupo de crianças. "Você não tem vergonha de fazer apologia à violência, não?", pergunta o consumidor, fazendo referência ao nome do palhaço.
Ele também critica a flor de lapela do palhaço, que esguicha água. "Cadê sua consciência ambiental?", questiona.

No outro comercial, um casal está num restaurante comendo feijoada e o homem chama o garçom para fazer uma reclamação. "Não entendi por que você separou o arroz do feijão. Por acaso você é a favor da segregação?", pergunta.

A mulher reclama que a couve é o único alimento "feminino" do prato, uma vez que é servida com arroz, feijão e o torresminho. "Isso é machismo", diz ela.
Ao final das duas propagandas, criadas pela agência AlmapBBDO, uma voz diz que o Conar é responsável por regular a publicidade no Brasil e todos os dias recebe dezenas de reclamações. "Muitas são justas; outras, nem tanto. Confie em quem entende. Confie no Conar", diz a peça publicitária.

Vídeos ridicularizam reclamações, diz Idec

Consumidores que se sentiram ofendidos com as propagandas fizeram queixas ao Conar, o que resultou na abertura de um processo no órgão, habituado a julgar campanhas feitas por empresas.
Além disso, 30 associações, como Geledés - Instituto da Mulher Negra, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social e Liga Brasileira de Lésbicas (LBL-SP), enviaram uma carta ao Conar pedindo que as propagandas sejam retiradas do ar. As entidades argumentam que as campanhas não tratam com seriedade as demandas de alguns grupos sociais.
Para o Idec, os vídeos "são abusivos por disseminar informações incorretas, ridicularizar e desqualificar as reclamações dos consumidores". O instituto diz que o Conar se mostra como o responsável por coibir abusos na publicidade, quando, na verdade, esse poder é restrito.
"[O Conar] pode apenas recomendar alterações ou suspensões de campanhas que ainda estiverem no ar. Cabe ao Sistema Nacional de Defesa do Consumidor impor sanções mais efetivas quando há o desrespeito ao consumidor, com a aplicação de multas, por exemplo", afirma o Idec, em nota.

Campanha não desencoraja queixas, diz agência

Bruno Prosperi, diretor de criação da AlmapBBDO, diz que o Conar procurou a agência para que fizesse uma campanha que aproximasse o mercado publicitário dos consumidores.

"Os filmes retratam situações de reclamações exageradas, mas, em momento algum, desencorajam o consumidor a reclamar. Pelo contrário. A ideia da campanha é mostrar que, seja lá qual for a reclamação, temos um órgão imparcial e formado por especialistas aptos a julgar se as críticas são cabíveis e decidir se uma campanha deve ou não permanecer no ar", afirma Prosperi.

Para ele, as redes sociais acabaram dando mais voz aos consumidores. "Ficou muito mais fácil opinar, criticar, refletir e comentar sobre qualquer assunto ou tema. Isso não significa que precisamos ter medo do que devemos comunicar. Mas, com certeza, devemos ter clareza e estar seguros do assunto de que estamos tratando."
O excesso de controle, porém, muitas vezes acaba tolhendo as equipes de criação das agências, afirma Murilo Orefice, professor do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Anhembi Morumbi.
"Por um lado, é necessário haver um controle, tanto por meio da autorregulamentação como por meio de legislação, e a sociedade ganha com isso. Mas o politicamente correto tem ganhado cada vez mais força e é preciso haver bom senso. As propagandas do Conar são claramente peças de humor. A mim, as reclamações sobre elas parecem um certo exagero", diz o professor.
O Conar diz que a carta das entidades civis foi anexada ao processo aberto pelos consumidores e tudo será analisado em reunião do conselho em maio. Até lá, as campanhas continuarão no ar.http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/04/11/consumidores-reclamam-e-conar-vai-julgar-anuncio-feito-pelo-proprio-orgao.htm
QUER LER MAIS ....AQUI ( SE TIVER TEMPO)
http://www.ethelrosenfeld.com.br/outrosautores02.htm

Mudança climática. Estilo Enem.Proposta de intervenção: buscar soluções para o país.

Problematize; mas coloque o Brasil no centro da sua escrita; organize suas ideias na direção de mostrar como  o país pode criar meios de diminuir as consequências negativas das mudanças climáticas
Use o que a coletânea fornece. Mas, se souber mais  que isso, está valendo.

''A mudança climática já está provocando efeitos em todos os continentes e em todos os oceanos, segundo relatório apresentado em 31 de março por cientistas reunidos em Yokohama, no Japão. Eles alertaram que o problema tende a piorar substancialmente, a menos que as emissões de gases de efeito estufa sejam controladas.
O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, grupo das Nações Unidas, concluiu que as calotas polares estão derretendo, o gelo marinho no Ártico está em colapso, o abastecimento de água está sobrecarregado, ondas de calor e chuvas fortes estão se intensificando, os recifes de corais estão morrendo e os peixes e muitas outras criaturas estão migrando para os polos ou sendo extintos.
Porém, o pior ainda está por vir, disseram os cientistas no segundo de três relatórios que devem influenciar o debate a respeito de um novo tratado climático global no ano que vem. O relatório enfatizou, em especial, o risco considerável ao abastecimento alimentar do planeta -ameaça que pode ter sérias consequências para nações mais pobres.
"Ninguém ficará intocado pelos impactos da mudança climática", disse Rajendra Pachauri, presidente da comissão.
No topo da pauta está a previsão de que o nível global do mar pode subir até um metro neste século. Tal aumento será desigual por causa dos efeitos gravitacionais e da intervenção humana, de modo que prever o seu resultado em qualquer lugar é difícil. Mas nações insulares, como Maldivas, Kiribati e Fiji, podem perder grande parte do seu território, e milhões de bengaleses terão que ser deslocados. "Há muitos lugares no mundo sob risco de elevação do nível do mar, mas Bangladesh está no topo da lista", disse Rafael Reuveny, professor na Universidade de Indiana, em Bloomington.
Os efeitos da mudança climática têm levado a um crescente sentimento de indignação nos países em desenvolvimento. Muitos deles sofrerão em cheio as consequências do aumento das temperaturas e do nível do mar, apesar de terem contribuído pouco para a poluição apontada como a causa desses problemas.
Em uma conferência climática em Varsóvia, em novembro, houve uma emotiva manifestação de países que enfrentam ameaças existenciais, entre eles Bangladesh, que produz apenas 0,3% das emissões responsáveis pela mudança climática. Alguns líderes exigiram que os países ricos compensem as nações pobres pelo fato de serem os ricos os maiores poluidores da atmosfera. Alguns dizem que os países desenvolvidos devem abrir suas fronteiras aos migrantes climáticos. "É uma questão de justiça global", disse Atiq Rahman, do Centro de Estudos Avançados de Bangladesh.
Deltas fluviais do mundo todo estão particularmente vulneráveis aos efeitos da elevação do nível dos mares, e cidades mais ricas, como Londres, Veneza e Nova Orleans, também enfrentam um futuro incerto.
Bangladesh contribui pouco para a poluição atmosférica, mas sua necessidade de extrair água subterrânea para abastecer a população -já que os rios estão poluídos demais- faz a terra ceder. Assim, enquanto o nível do mar está subindo, as cidades bengalesas estão afundando.
Políticos e cientistas climáticos de Bangladesh concordam que, até 2050, o aumento do nível do mar inundará cerca de 17% do território e obrigará o deslocamento de cerca de 18 milhões de pessoas, segundo Rahman.
Os bengaleses já começaram a se afastar das aldeias mais baixas nos deltas fluviais da baía de Bengala, segundo cientistas.
Grande parte do que o governo de Bangladesh está fazendo para tentar impedir o dilúvio -erguendo diques, dragando canais, bombeando água- agrava a ameaça de inundação a longo prazo, disse John Pethick, ex-professor da Universidade de Newcastle, no Reino Unido. Ele previu que o mar pode subir até quatro metros em Bangladesh até 2100, aumento que teria consequências desastrosas num país onde quase um quarto do território está menos de dois metros acima do nível do mar.
"Precisamos de uma solução regional e global", disse Tariq Karim, embaixador de Bangladesh na Índia. "E, se não conseguirmos uma logo, o povo de Bangladesh em breve vai se tornar um problema do mundo, porque não seremos capazes de contê-lo."



“O  compromisso é  ter emissões zero a partir de 2040 /2050, e isso significa  uma mudança de todo o sistema de desenvolvimento, que envolve mudança dos combustíveis”, disse hoje (1º) o  chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre,e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Marengo, um dos autores do novo relatório do IPCC. Marengo  apresentou o relatório na Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro, e destacou que alguns países interpretam isso como uma tentativa de frear o crescimento econômico. Na verdade, ele assegurou que a intenção é chegar a um valor para que o aquecimento não seja tão intenso e grave.
Com base no relatório do IPCC, Marengo  comentou  que o  Brasil já revela um passo adiante em termos de adaptação às mudanças climáticas. “Eu acho que o Brasil já escutou a mensagem. Já está começando a preparar o plano nacional de adaptação, por meio dos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência, Tecnologia e Inovação”. Essa adaptação, acrescentou, é acompanhada de avaliações de vulnerabilidades, “e o Brasil é vulnerável às mudanças de clima”, lembrou.
A adaptação, segundo ele, atenderá a políticas governamentais, mas a comunidade científica ajudará a elaborar o plano para identificar regiões e setores considerados chave. “Porque a adaptação é uma coisa que muda de região e de setor. Você pode ter uma adaptação no setor saúde, no Nordeste, totalmente diferente do Sul. Então, essa é uma política que o governo já está começando a traçar seriamente”.
O plano prevê análises de risco em setores como agricultura, saúde, recursos hídricos, regiões costeiras, grandes cidades. Ele está começando a ser traçado como uma estratégia de governo. Como as vulnerabilidades são diferentes, o plano não pode criar uma política única para o país. Na parte da segurança alimentar, em especial, José Marengo ressaltou a importância do conhecimento indígena, principalmente para os países mais pobres.
Marengo afiançou, entretanto, que esse plano não deverá ser concluído no curto prazo. “É uma coisa que leva tempo. Esse tipo de estudo não pode ser feito em um ou dois anos. É uma coisa de longo prazo, porque vai mudando continuamente. Ou seja,  é um plano dinâmico, que a cada cinco anos tem que ser reavaliado e refeito. Poucos países têm feito isso, e o Brasil está começando a elaborar esse plano agora”, manifestou.
Marengo admitiu que a adaptação às mudanças climáticas tem que ter também um viés econômico, por meio da regulação. “Quando eu falo em adaptação, é uma mistura de conhecimento científico para identificar que área é vulnerável. Mas tudo isso vem acompanhado de coisas que não são climáticas, mas sim, econômicas, como custos e investimento. Porque adaptação custa dinheiro. Quem vai pagar pela adaptação? “, indagou.
O IPCC não tem uma posição a respeito, embora Marengo mencione que os países pobres querem que os ricos paguem pela sua adaptação às mudanças do clima. O tema deverá ser abordado na próxima reunião da 20ª Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima COP-20, da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorrerá em Lima, no Peru, no final deste ano.
Entretanto, o IPCC aponta situações sobre o que está ocorrendo nas diversas partes do mundo, e o que poderia ser feito. As soluções, salientou, serão indicadas no próximo relatório do IPCC, cuja divulgação é aguardada para  este mês. O relatório, segundo ele, apontará que “a solução está na mitigação”. Caso, por exemplo, da redução das emissões de gases de efeito estufa, o uso menor de combustíveis fósseis e maior uso de fontes de energia renováveis, novas opções de combustíveis, novas soluções de tecnologia, estabilização da população. “Tudo isso são coisas que podem ser consideradas”. Admitiu, porém,  que são difíceis de serem alcançadas, porque alguns países estão dispostos a isso, outros não. “É uma coisa que depende de acordo mundial”. http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-04/brasil-ja-comeca-preparar-adaptacao-mudancas-climaticas
                           TERMINAR AQUI...

SE QUISER LER MAIS, LEIA. MAS A COLETÂNEA ACABOU

Derretimento de geleiras gigantes ultrapassou ponto de retorno, dizem cientistas (Folha de S.Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2014/06/1464119-derretimento-de-geleiras-gigantes-ultrapassou-ponto-de-retorno-dizem-cientistas.shtml

Luiz Gylvan Meira: “As dúvidas sobre mudanças climáticas desapareceram” (Época)
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2014/06/com-evolucao-cientifica-duvidas-sobre-mudancas-climaticas-desapareceram.html 

Nasa afirma que derretimento de geleiras na Antártida é irreversível (Galileu)
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2014/05/nasa-afirma-que-derretimento-de-geleiras-na-antartida-e-irreversivel.html 

Quatro graus a mais (Estadão)
http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,quatro-graus-a-mais-imp-,1503515 

Relatório: Prepare-se para o ponto onde não haverá retorno sobre o clima (em inglês) (Politico)
http://www.politico.com/story/2013/12/national-research-council-report-climate-change-could-hit-tipping-points-environment-100615.html 

Pequena era do gelo tomou a Europa em apenas meses (em inglês) (New Scientist)
http://www.newscientist.com/article/mg20427344.800-mini-ice-age-took-hold-of-europe-in-months.html